Biologia, Extinção

A culpa é das abelhas?

Albert Einstein uma vez disse: “Se as abelhas desaparecerem da face da terra, a humanidade terá apenas mais quatro anos de existência”. O que fazer agora, quando esse desaparecimento realmente começou?

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As abelhas são insetos polinizadores, ou seja, auxiliam na reprodução de plantas com flores verdadeiras, denominadas angiospermas, como o café, soja, maçã, pêssego, morango e amêndoas. Estima-se que 70% dos alimentos que consumimos diariamente necessitem da ação das abelhas para seu desenvolvimento, sobretudo da espécie Apis mellifera, conhecida popularmente como abelha-européia. Anualmente, as abelhas geram mais de 200 bilhões de dólares em produtos agrícolas, sendo indispensáveis para a agricultura e, consequentemente, para a pecuária. Sem esses organismos, a produção de frutas, legumes, café, algodão, carnes, ovos e laticínios cairia drasticamente, aumentando os preços e reduzindo a oferta, principalmente nas regiões mais pobres do planeta. Plantas como arroz, milho e trigo não seriam afetadas, por serem polinizadas pelo vento, mas a oferta não conseguiria suprir a crescente demanda.

Nos últimos anos, milhares de apicultores pelo mundo têm se deparado com uma estranha cena: Uma colmeia vazia, contendo apenas a rainha, larvas e estoques de mel intocados. Em muitos casos, nem mesmo os corpos das operárias são encontrados. Desde 1869 esse acontecimento vem se repetindo pelo mundo mas, na última década, ele tomou proporções devastadoras.  Estima-se que mais de um terço da população mundial de abelhas desapareceu desde 2006 e, recentemente, um estudo publicado na Science demonstrou que, nos últimos 120 anos, metade das espécies de abelhas da América do Norte foram extintas.

Esse fenômeno, conhecido como Distúrbio do Colapso das Colônias ou CCD (Colony collapse disorder), possui muitas possíveis explicações, todas com envolvimento antrópico direto ou indireto. As explicações mais antigas do fenômeno envolvem dois ácaros, o Acarapis woodi, que infecta a traqueia das abelhas e impede sua respiração de forma correta  e o Varroa destructor, que parasita as larvas da colônia. Esses dois animais  transmitem inúmeros vírus e fungos que podem contaminar as abelhas- levando-as a morte. Só recentemente  essas doenças se tornaram um verdadeiro problema, uma vez que pesticidas reduzem significantemente a ação do sistema imune desses animais, tornando-as mais vulneráveis às doenças.

Recentemente, uma nova causa para o problema foi descoberta e, novamente, a culpa é nossa: Neonicotinóides. Esses pesticidas derivados da nicotina são, atualmente, os mais utilizados no mundo e afetam diretamente o sistema nervoso de insetos. Acredita-se que, ao coletarem néctar para a produção de mel em plantas em que neonicotinóides foram utilizados, as abelhas levam o composto para a colmeia,  o que destrói a colônia a longo prazo.

Diversas medidas podem ser adotadas para reduzir esse impacto, como o plantio de culturas orgânicas e a utilização de inseticidas alternativos. Uma maneira fácil de contribuir com essas espécies tão importantes é o cultivo de flores em áreas urbanas. Jardins, parques e praças são áreas livres de pesticidas, o que auxilia na manutenção da população de abelhas selvagens, sobretudo de espécies nativas. Dessa forma, ajudaremos esses animais que nos auxiliam tanto desde a criação da agricultura.

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Baseado em pesquisas da IUCN, artigo publicado por Laura A. Burkle, campanha Sem Abelhas Sem Alimento e por vídeo do canal do YouTube ” Kurzgesagt- In a Nutshell”

Fotos por Pedro Henrique Tunes

Para conhecer mais visite o site:  Sem Abelhas Sem Alimento

 

 

 

 

 

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