Aquecimento Global, Efeitos Antropológicos, Mudança Climática

O planeta está aquecendo ou resfriando?

A fonte primária de energia para o planeta Terra é o Sol. Ele emite radiação eletromagnética (energia) que é refletida de volta ao espaço. O percentual de ondas curtas que é refletido é chamado de albedo, atualmente cerca de 30%, que depende principalmente da variação da cobertura e vegetação, tipos de nuvens, concentração de aerossóis e partículas em suspensão no ar. Portanto, o albedo controla o fluxo de ondas curtas que entra no sistema terra-atmosfera-oceanos: quanto menor o albedo, menor reflexão e, consequentemente, maior o aquecimento da atmosfera e vice-versa.

Parte da radiação de ondas curtas que entra no planeta é absorvida e emitida em forma de ondas longas por gases como vapor d’água, gás carbônico, metano, ozônio, óxido nitroso e compostos de clorofluorcarbono. A absorção/emissão desses gases pelas várias camadas atmosféricas reduz a perda de radiação, emitida pela superfície, que escaparia para o espaço exterior, constituindo o chamado efeito-estufa.

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“O efeito-estufa faz com que a temperatura média global do ar, próximo à superfície da Terra, seja cerca de 15°C. Caso ele não existisse, a temperatura da superfície seria 18°C abaixo de zero, ou seja, o efeito-estufa é responsável por um aumento de 33°C na temperatura da superfície do Planeta!”

Luiz Carlos Molion

Muitas vezes o Planeta sente na própria pele os efeitos das mudanças climáticas: queimadas, tempestades mais fortes que o normal e aumento dos níveis do mar. Há aproximadamente quarenta anos, cientistas descobriram que o efeito estufa era agravado pelos clorofluorcarbonet (CFCs). Esses poluentes são comumente encontrados em refrigeradores, extintores de incêndio e aerossóis. Até então, pesquisadores achavam que o dióxido de carbono advindo de combustíveis fósseis era o único gás de efeito estufa gerado pelo homem. Através das pesquisas do professor Ram Ramanathan, cientistas puderam ver que os CFCs eram mais de 10.000 vezes mais potentes que o dióxido de carbono.

Então, qual a quantidade de poluição estamos jogando na atmosfera todo ano? Aproximadamente 50 bilhões de toneladas de gases poluentes. Em 1980, Ramanathan previu que o efeito estufa seria detectável até o ano 2000 e essa previsão foi confirmada. Com o passar dos anos e a chegada de 2010, a temperatura  alavancou e atingiu valores maiores que os últimos milhões de anos. O efeito estufa é um fenômeno que já existia e é essencial para que haja a vida na Terra. Entretanto, o que a hipótese diz é que estamos amplificando esse efeito e trazendo diversos malefícios para a vida terrena.1294.jpg

Há quem diga que o chamado Aquecimento Global é uma farsa, já que as mudanças climáticas foram estudadas em uma micro escala , dentro de uma escala global. Segundo o professor Luiz Carlos Molion, a hipótese do agravamento do Efeito Estufa está fundamentada em três argumentos: a série de temperatura média global do ar na superfície “observada” nos últimos 160 anos, o aumento observado na concentração de gás carbônico a partir de 1958 e os resultados obtidos com modelos numéricos de simulação de clima.

A figura abaixo mostra desvios de temperatura do ar para o Globo terrestre, que aumentou cerca de 0,6°C entre os anos de 1950 e 2000.

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Desvios da temperatura média global (Jones e Colaboradores, 1999)

Segundo os descrentes sobre o aquecimento global, o clima é muito complexo, envolvendo controles internos e externos ao sistema terra-atmosfera-oceano, dos quais o efeito-estufa é apenas um dos processos, e ocorreram aumentos de temperatura em tempos passados, supostamente sem sua intensificação. A aparente coincidência entre os registros históricos de emissões e as previsões dos modelos não significa que o aquecimento esteja ocorrendo. Na realidade, as características desses registros históricos conflitam com a hipótese do efeito-estufa intensificado, já que o Planeta se aqueceu mais rapidamente entre o período de 1925 a 1946, quando a quantidade de gases do efeito-estufa lançada na atmosfera era inferior a 10% da atual. O professor Molion também acredita que a relação pode ser inversa, já que, com o aquecimento dos oceanos (variação natural e sazonal), a solubilidade de CO2 nos mares pode ter diminuído, gerando seu aumento na atmosfera.

Como assim? Isso significaria que cientistas renomados, pertencentes às associações American Association for the Advancement of ScienceAmerican Chemical Society, American Geophysical UnionAmerican Medical AssociationAmerican Meteorological Society, American Physical SocietyGeological Society of America, U.S. National Academy of Sciencee, e principalmente, à Painel de Mudanças Climáticas , estão equivocados? Eu acredito que NÃO.1-3.jpg

Estudos dos gases presos em camadas profundas de gelo nos permite observar  como era a atmosfera antigamente. Hoje os níveis de CO2 são mais elevados do que eram há quase 1 milhão de anos atrás, antes mesmo da existência humana. A velocidade com que a temperatura média da Terra está subindo é alarmante, já que é dez vezes maior que o aumento de temperatura no final da era glacial. Como saber se esse aumento de CO2 é nossa culpa? A melhor evidência são os isótopos de carbono advindos de combustíveis fósseis. Os combustíveis são provenientes de depósitos de plantas fossilizadas que utilizam, preferencialmente, o carbono 12 ( C12) ao carbono 13 (C13) em sua composição. A porcentagem de C12 que está aumentando na atmosfera é bem maior do que a de C13, o que pode sustentar essa hipótese. Como o C13 é mais abundante na natureza e os níveis de C12 têm aumentado significativamente, isso mostra a presença de átomos de origem biológica na atmosfera.

Se fossemos utilizar simulações de mudanças climáticas para prever o clima através de causas naturais, iríamos encontrar poucas mudanças ou até mesmo o resfriamento da Terra. Porém, percebemos que não é o que está acontecendo: mesmo que em alguns lugares a Terra estejam esfriando, há duas vezes mais registros de aumentos do que de redução na temperatura.

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Esquema mostrando como o formados o gelo sazonal com o aumento da temperatura

Existem estudos mostrando que o gelo do Ártico aumentou, porém essas pesquisas dizem respeito ao gelo do inverno Ártico e Antártico (ice pack), e não ao gelo permanente. A explicação lógica para esse fato é que o aquecimento global também reforça a precipitação de neve sobre essas regiões. Isso porque ele aumenta a evaporação da água pelo mundo e as correntes atmosféricas se encarregam de levá-la aos polos. Segundo o meteorologista Eric Holthaus, o comportamento do gelo na Antártida ainda está muito além da compreensão humana. Estamos lidando com sistemas muito complexos e nossos modelos são, muitas vezes, meras simplificações grosseiras da realidade.

50-600-ursa-polar-2-525Então, como esse tipo de mudança afeta a vida no planeta? Vamos pegar como exemplo o maior símbolo das mudanças climáticas: os ursos polares. Eles caçam no verão e geralmente ficam durante horas à espreita de focas em buracos abertos no gelo, usados para que elas possam respirar (breathing hole). Com o derretimento do gelo permanente, os ursos são obrigados a mudar suas estratégias de caça e irem em busca de sua presa. Como as focas são muito ágeis na água, não precisam encontrar tantos buracos para sua respiração, fazendo com que grande parte dos ursos morram de fome.

Como se pode ver, existem diversas hipóteses, teorias e questionamentos para o aquecimento global. Entretanto, devemos sempre esperar pelo pior, já que, com o derretimento de calotas, o nível médio dos oceanos pode subir em até 1 metro nos próximos 100 anos, acarretando diversas perdas materiais e enormes problemas para o homem. Ainda que estivéssemos no início de uma Era Glacial, iríamos demorar milhares de anos para começar a sentir o seu efeito. Logo, como diz o dito popular, “é melhor previnir, do que remediar”, principalmente quando não sabemos qual remédio utilizar.

Fontes: Dados de Reanálises, Earth System Research Laboratory, Physical Sciences Division, NOAA; artigos “Effects of Earlier Sea Ice Breakup on Survival and Population Size of Polar Bears in Western Hudson Bay” de Steven Amstrup; “Cycles of Global Cooling and Warming” de Gabriel Cousens; “Aquecimento Global: Fatos e Mitos” de Luiz Carlos Molion e fatos baseados em estudos da Universidade de Colorado, NASA e Revista Nature

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