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6 coisas que você NÃO queria saber sobre sua comida

Os alimentos são uma das alavancas que impulsionam a sociedade atual. Os insumos, a produção, a distribuição, o armazenamento e o comércio que circundam a nossa comida diária fazem parte de uma grande indústria que é muito mais complexa do que imaginamos. No meio de ingredientes selecionados e produtos industrializados, existem alguns segredos que a indústria alimentícia não quer que você saiba.

1 – Corante Carmim

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Provavelmente o produto mais conhecido dessa lista, o corante carmim é um corante natural de fórmula química C14H7NaO7S e comercialmente conhecido como “corante natural carmim de cochonilha”, “corante natural carmim”, “corante cochonilha”,  “C.I. 75470” e “E120”. Essa substância vermelha, amplamente utilizada como corante de balas, chicletes, iogurtes, sucos, molhos industrializados e maquiagens, é produzida através da moagem de insetos popularmente conhecidos como “cochonilha-do-carmim” (Dactylopius coccus e Porphyrophora spp.). Sua utilização é frequentemente criticada, uma vez que mais de 70.000 insetos precisam  ser esmagados para a produção de apenas 450 gramas desse  corante e por ser dispensável para a qualidade, gosto e durabilidade do produto.

2 – L-Cystein

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A cisteína é um aminoácido essencial para diversos processos biológicos, entre eles a regulação de proteínas (através das ubiquitina ligases), a produção do antioxidante glutationa e a morte celular programada, também conhecida como apoptose. A L-cisteína, comercialmente conhecida como L-Cystein, é frequentemente utilizada em pães, pizzas, biscoitos e tortas para amaciar e texturizar a massa. Embora esse produto possa ser sintetizado em laboratório, a forma mais barata para sua produção é por meio da moagem e refinamento de alguns produtos animais, como penas de pato, chifres de boi ou, até mesmo, de cabelo humano. Enquanto a produção desse ingrediente através de cabelo é proibida em diversos países, na China, maior produtor e exportador desse produto, mais da metade das indústrias recolhem cabelo humano de salões de beleza ou de revendedores de cabelo.

3 – Castoreum

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A baunilha é uma especiaria proveniente de uma orquídea (Vanilla spp.) nativa do México. Esse aromatizante era amplamente utilizado pelos povos pré-colombianos e, juntamente com o chocolate, foi levado para a Europa por volta de 1520. (Para saber mais sobre a história do chocolate, leia o texto Porque o KitKat pode estar matando os Orangotangos). Ainda hoje, é a segunda especiaria mais cara do mundo, sendo produzida, principalmente, em Madagascar e na Indonésia. Devido a seu valor elevado, diversos substitutos para a baunilha foram testados em todo o mundo, com destaque para um bem estranho: o castóreo. Comercialmente chamado de castoreum ou de “aroma natural de baunilha”, essa substância, amplamente utilizada no século XX, é produzida naturalmente por glândulas localizadas na região anal de castores (Castor canadensis Castor fiber) para marcar seu território e para sua comunicação intraespecífica. Na indústria, é utilizado como fixador de perfume e, eventualmente, ainda pode ser utilizado para a produção de sorvetes, balas, chicletes e bolos. Embora atualmente substitutos mais baratos existam no mercado, sua eficiência e sabor não são tão parecidos com a baunilha quanto o castoreum, que ainda pode ser encontrado em alguns poucos produtos brasileiros.

4 – Isinglass

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Também conhecida como “cola de peixe”, essa substância é uma forma de colágeno obtida  no interior da bexiga natatória de diversos tipos de peixes, utilizada para a clarificação e como estabilizante na produção de diversos vinhos e cervejas. Embora seja pouco utilizado pela  indústria de bebidas brasileiras, diversas marcas estrangeiras de cervejas amplamente comercializadas no Brasil ainda usam esse produto.

5 – Polydimethylsiloxane (PDMS)

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Esse tipo de silicone, utilizado industrialmente como cola, como sulfactante e na produção de alguns tipos de circuitos elétricos ganhou destaque na indústria alimentícia nos últimos anos. Após testes em laboratório afirmarem que seu consumo era seguro para o ser humano, essa substância passou a ser empregada em diversos alimentos congelados e em óleos vegetais, uma vez que essa substância mantém a temperatura do alimento mais uniforme e facilita o processo de fritura de batatas e nuggets. Grandes redes de Fast Food famosas no Brasil utilizam essa substância na maioria de seus produtos.

6 – Ambergris

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Pouco utilizada atualmente, essa substância conhecida como “ambar cinza” começou a ser utilizada após 1660 na confecção de doces, bebidas, sorvetes e perfumes. Encontrada flutuando no mar, essa substância doce e de odor característico é, sem dúvida, a mais estranha dessa lista. Até o século XX, acreditava-se que esse material era seiva de árvores petrificada ou algum tipo de cogumelo marinho, porém análises mais detalhadas revelaram uma origem muito mais complexa: Cachalotes (Physeter macrocephalus)! Esses animais, que podem atingir mais de 20 metros de comprimento, alimentam-se, sobretudo, de lulas, que possuem um bico duro constituído de queratina. Eventualmente, esses bicos podem se agregar no interior das cachalotes e formar uma massa fecal dura, que se prende na porção final de seu intestino. Caso seu organismo não seja capaz de se livrar dessa estrutura, ela pode crescer até 5 vezes seu tamanho original e obstruir seu reto, o que acarretará a sua morte. Durante sua decomposição, o ambergris é liberado e fica flutuando na água. Após alguns meses, ele adquire seu gosto e odor característico. Outra forma de sua produção é através do vômito desses mesmos animais. Após a queda das populações de cachalotes durante o século XIX, o uso alimentício do âmbar cinza caiu de forma considerável, mas essa substância ainda é utilizada como fixador de perfume por diversas marcas famosas. Atualmente, 500 gramas de ambergris podem valer até 63 mil dólares, dependendo de sua qualidade.


Embora esses ingredientes possam parecer nojentos para o público comum, muitos deles fazem parte do nosso dia-a-dia e são essenciais para a produção de alguns alimentos que conhecemos. Muitas vezes, preferimos não saber algumas verdades sobre o que ingerimos e utilizamos, mas o conhecimento é o primeiro passo para o fim do preconceito. Existem diversos alimentos exóticos que não provaríamos por medo ou nojo, mas abrir a cabeça para novas experiências pode ser surpreendente. Afinal, um pouco de inseto e de cabelo humano não faz mal a ninguém!

Referências

Site www.atlasobscura.com

Canal do Youtube Minute Earth

Site http://www.health.com

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