Lixo, Poluição

Plástico: Uma Triste Realidade!

 

Já imaginou quanto plástico tem no oceano? Muitas vezes em nossas vidas ouvimos dizer que o oceano é uma grande imensidão e que não sabemos o que está escondido em suas profundezas. Porém essa vastidão é finita e não fazemos ideia da quantidade de lixo que produzimos diariamente. Nos últimos 10 anos, fabricamos e consumimos mais plástico que no último século. Metade do que foi fabricado é considerado descartável, mas seria inteligente fabricar algo descartável de um material quase indestrutível?

Sacola plástica no oceano - Poluição plástica

Os plásticos estão em toda parte. Enquanto você está lendo este artigo, provavelmente vários itens de plástico estão ao seu alcance (seu computador, sua caneta, seu telefone). Um plástico é qualquer material que pode ser adaptado ou moldado em qualquer forma.

A principal matéria-prima dos plásticos é o petróleo, elemento rico em carbono. Os plásticos são polímeros constituídos de unidades repetitivas de compostos menores contendo carbono, chamados monômeros. Com a combinação de vários tipos de monômeros em diferentes arranjos é possível fazer uma variedade quase infinita de plásticos. A maioria deles é inerte: você pode armazenar álcool, sabão, água, ácido ou gasolina em um recipiente de plástico sem dissolver o próprio recipiente. Esse material revolucionou o mundo.

petralon_hero2.jpg

Cerca de 240 bilhões de litros de petróleo são usados diariamente apenas para atender à demanda para a fabricação de garrafas plásticas de água para os Estados Unidos, mas 90% delas são usadas apenas uma única vez. Isso corresponde a 2 milhões de toneladas de plástico indo para aterros no país ou caindo nos rios e no mar.8687410631_1d611b2b64_z.jpg

Somente neste ano, todo homem, mulher e criança irá descartar cerca de 136 quilos de plástico. Esse material pode ser considerado maravilhoso do ponto de vista da durabilidade. Por outro lado, também pode ser encarado como terrível, pois quase todo plástico que foi fabricado até hoje ainda está presente no Planeta, sem se decompor. A previsão menos pessimista é que em 2050, quando a população mundial chegar a 10 bilhões de pessoas, espera-se que a produção de plástico tenha triplicado e que a quantidade desse material e de peixes nos oceanos seja a mesma. O grande problema é que, hoje, apenas uma fração do plástico que usamos é reciclada e o resto chega até o meio ambiente.

Mais de 80% do plástico encontrado nos mares vem da terra. Ainda que você não viva próximo ao oceano, o mais provável é que o seu lixo plástico já tenha, de alguma maneira, chegado ao mar. É simples pensar que em todo esgoto não tratado há lixo e que dentro do lixo há muito plástico. O lixo que não continua nas ruas ou que afunda nos sedimentos dos rios flutua pelos canais fluviais através do leito principal da bacia hidrográfica até o oceano Atlântico. Hoje, já foi descoberto que no Mar Mediterrâneo há uma proporção de 1 para 2 plásticos por plâncton, conjunto de organismos de extrema importância para o ecossistema aquático.

Ocean-Plastic-Yuck.jpg

Nossos oceanos são guiados por cinco grandes correntes oceânicas, resultantes da rotação da Terra e dos ventos predominantes. Elas coletam o lixo que vem da foz dos rios, que chega ao mar, e eventualmente tudo que está no sistema acabará chegando nelas. Essas correntes formam espirais que acumulam tudo aquilo que vem com elas em um enorme redemoinho acumulador de lixo. Descobridor do aterro marinho gigante, também chamado de “vórtice de lixo”, o oceanógrafo norte-americano Charles Moore acreditava que estaria reunida naquelas águas cerca de 100 milhões de toneladas de detritos – que vão desde blocos de brinquedos Lego até bolas de futebol e caiaques. “A ideia original que as pessoas tiveram foi que era uma ilha de lixo plástico sobre a qual você quase poderia andar”, observa Marcus Eriksen, diretor de pesquisas da Algalita Marine Research Foundation, organização norte-americana criada por Moore. “Não é nada disso. É quase uma sopa plástica.”.

spd0816_garbagepatch_1_0
Cinco principais áreas de acúmulo de lixo nos oceanos.

Os plásticos de alta densidade, usados para a fabricação de produtos para consumo, são quebrados pelo sol, pela água salgada e por pequenos animais em pequenas partículas chamadas de microplásticos, que podem ser consumidos por microorganismos que não conseguem quebrá-las, como os plânctons. Os microplásticos possuem superfície irregular e absorvem substâncias tóxicas que vêm juntamente com os resíduos. As partículas plásticas são consumidas pelos plânctons, que servem de alimentos para camarões que, por sua vez, são comidos por peixes, até pararem em nossa mesa. Além disso, muitos microplásticos são confundidos com os próprios plânctons e, dessa forma, podem se bioacumular em toda a cadeia alimentar.

Em um estudo da Scientifics Reports, pesquisadores examinaram 76 peixes para consumo humano na Indonésia e 64 na Califórnia. Foram encontrados plásticos em ambos. Quase um quarto apresentava detritos antropogênicos, tendo sido encontrado plástico em uma amostra da população da Indonésia, bem como plástico e fibras têxteis na população americana. Ao coletar amostras de mexilhões na costa da França, Bélgica e Holanda, foi detectado que os microplásticos estavam presentes em todos os organismos examinados.

shanghaitrash-compressor
Caminho do plástico que sai da Ásia criando a Grande Porção de Lixo do Pacífico.

Enquanto isso, estima-se que o plástico dos oceanos mate milhões de animais marinhos todos os anos. Quase 700 espécies, incluindo as ameaçadas, foram afetadas por esse material. Alguns animais são prejudicados visivelmente – estrangulados por redes de pesca abandonadas ou por anéis plásticos. Provavelmente, muitos mais são prejudicados de forma invisível. Espécies marinhas de todos os tamanhos, do zooplâncton às baleias, comem microplásticos, pedaços menores que um quinto de uma polegada de diâmetro.

Turtle.jpg

Para resolver o problema é imprescindível que seja firmado um acordo internacional para reduzir o despejo de lixo plástico nos mares e oceanos e promover a limpeza das águas. Além disso, a WWF recomenda que todos os países do Mediterrâneo aumentem a reciclagem, proíbam os plásticos descartáveis, como sacolas e garrafas, e diminuam a utilização de microplásticos em detergentes ou cosméticos até 2025.

“A própria indústria de plásticos deve desenvolver produtos recicláveis e compostáveis feitos a partir de matérias-primas renováveis, e não produtos químicos derivados do petróleo”, indica a WWF.

Captura de Tela 2018-06-13 às 19.35.15.png

Além disso, é fundamental que haja uma mudança cultural em toda a população. Adotar atitudes que gerem menos lixo é um bom começo. Dessa forma, haverá maior pressão nas indústrias e maior demanda de um mercado que hoje é reduzido.

O nosso planeta enfrenta problemas causados por ações antrópicas e as mudanças devem ser imediatas. As espécies atuais precisam de nossa ajuda para não serem extintas. A hora é agora! Comece a reduzir seus resíduos hoje, plásticos ou não, para que amanhã não seja tarde demais.

Nota da autora: 

Produzir um texto como esse foi um grande desafio. Mesmo convivendo no dia-a-dia com resíduos plásticos, não imaginei como seria constatar, através de tantos documentários e imagens, como está a situação global. Dói muito perceber como estamos sendo negligentes e isso me faz questionar qual será o mundo que estamos deixando para as futuras gerações. Será que nossos descendentes um dia poderão nadar em cachoeiras e se banhar nas águas do mar? Que esse texto sirva de reflexão para todos e que desperte a mudança em cada um de nós. 

Leia mais sobre o assunto em:

https://www.nationalgeographic.com/magazine/2018/06/the-journey-of-plastic-around-the-globe/

Leia também: Texto “Não Queremos Salvar o Planeta.”

Referências:

WWF

Documentário “Plastic Oceans”

Sea Shepherd: http://www.seashepherd.org/

Projeto Vortex: http://www.projectvortex.org/

How Stuff Works: Plastic

ABM Yacht Support: Are we doing all that we can to clean oceans?

Artigos da Algalita Marine Research Foundation

2 comentários em “Plástico: Uma Triste Realidade!”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s