Atmosfera, Poluição

Buraco na Camada de Ozônio: foi apenas uma modinha?

Há um tempo não se fala mais sobre o buraco na camada de ozônio e os riscos que ele pode oferecer. Já imaginou um mundo no qual você não conseguiria sair na rua sem adquirir uma queimadura na pele ou mesmo correr sérios riscos de ter um câncer de pele futuramente?

No início do século XX, a General Motors criou uma substância chamada de clorofluorcarboneto, ou CFCs, que era praticamente um milagre, já que não era tóxica ou inflamável, era barata e muito utilizada para vários propósitos, como spray de cabelo, geladeiras, extintores, agente resfriador de ar condicionado, etc. Os gases CFCs começaram a ser empregados em muitas coisas, sem a preocupação de qual seriam as possíveis consequências desse uso exacerbado.

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Cloro se ligando ao átomo de oxigênio.

Somente em 1974 percebemos que esse composto estava se acumulando na estratosfera, transformando-se, por reações químicas, em cloro e, para isso, consumindo o ozônio.

Produção Global de CFC
Produção Global de CFC

O ozônio tem funções diferentes na atmosfera, de acordo com a altitude em que se encontra. Na estratosfera, o ozônio é criado quando a radiação ultravioleta, de origem solar, interage com a molécula de oxigênio, quebrando-a em dois átomos de oxigênio (O). O átomo de oxigênio liberado une-se a uma molécula de oxigênio (O2), formando, assim, ozônio (O3). Na região estratosférica, 90% da radiação ultravioleta do tipo B é absorvida pelo ozônio.

Portanto, uma das alternativas para que esse ozônio parasse de ser consumido seria conter a utilização dos CFCs que o consumiam. E como uma surpreendente reviravolta para a humanidade, nós fizemos a coisa certa.

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Nesse mesmo ano de 1974, Mario Molina e Sherwood Rowland, dois químicos da Universidade da Califórnia, em Irvine, publicaram um artigo na Nature detalhando as ameaças dos gases clorofluorcarbonos (CFC) à camada de ozônio . Depois disso, uma grande empresa estadunidense chamada SC Johnson, voluntariamente e muito espertamente, removeu os CFCs de seus produtos aerossóis, com a alegação de ser uma empresa ecologicamente correta e utilizando essa atitude a seu favor. Poucos anos depois  e após muito debate, a Agência de Proteção do EUA proibiu todos os tipos de aerossóis.

Sendo assim, muitas empresas, incluindo a SC Johnson, de maneira astuciosa, viram um novo mercado surgir e, a partir de então, começaram a vender produtos alternativos ao CFC para outros países que ainda não o haviam proibido. Nesse meio tempo, em 1984, foi identificado um enorme buraco na camada de ozônio e o mundo começou a pressionar  as autoridades para que um acordo global fosse traçado.

Finalmente, em 1987, foi firmado o Protocolo de Montreal, sendo o primeiro tratado internacional traçado em decorrência de uma ameaça mundial e o único acordo ambiental multilateral, cuja adoção é universal: 197 estados assumiram o compromisso de proteger a camada de ozônio. O tratado entrou em vigor em 01 de janeiro de 1989 e os países signatários se comprometeram a reduzir progressivamente a produção e consumo das Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio (SDOs), até sua total eliminação.

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Camada de Ozônio

No Brasil o consumo de CFC como propelente em aerossóis sanitários, perfumes, inseticidas e outras aplicações foi banido por meio da Portaria ANVISA nº. 534, de 19 de setembro de 1988, antes mesmo de o Brasil ter ratificado o Protocolo de Montreal.

Em virtude da Resolução CONAMA nº. 267, de 14 de setembro de 2000, foi proibida a importação de CFCs a partir de janeiro de 2001, com exceção do CFC-12, utilizado para a manutenção de equipamentos, que somente em 2007 foi proibido.

O gráfico a seguir apresenta a tendência de recuperação da camada de ozônio esperada nos próximos anos:

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Tendência da recuperação da Camada de Ozônio

Somente com a proibição da substância que estava trazendo malefícios ao nosso planeta, já estamos conseguindo enormes avanços.

“O buraco da camada de Ozônio está aumentando mais tardiamente. Todas as medidas são independentes e, quando todas apontam para essa cura, é difícil imaginar qualquer outra explicação ”.  Susan Solomon

 

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Após três décadas de observação, os cientistas finalmente encontraram as primeiras impressões digitais de cura no notório buraco de ozônio localizado no hemisfério sul.

Essa descoberta sugere que a cura do ozônio está evoluindo de acordo com o cronograma esperado. A produção de CFCs cessou na década de 1990, mas essa substância tem uma vida útil de 50 a cem anos, de modo que as moléculas de cloro produzidas nos anos 70 e 80 ainda estão pairando na atmosfera. Ainda assim, essa ótima notícia é resultado de décadas de trabalho de cientistas, engenheiros e diplomatas em todo o mundo.

 “Tem sido uma história bastante notável. Isso nos dá esperança de que não devemos ter medo de enfrentar grandes problemas ambientais.”  Salomon

O que podemos aprender  com tal experiência? Que a união de vários países pode ser utilizada como forma de minimizar as mudanças climáticas e reduzir o plástico que estamos gerando diariamente e que tem chegado aos oceanos.

As mudanças significativas que foram feitas até aqui em relação à camada de ozônio estão evitando um futuro terrível. Isso mostra que a conscientização das pessoas e a união de todos os povos podem, sim, mudar o final da história. Vamos começar agora?

 

 

 

Para saber mais sobre o assunto leia nossos outros textos listados abaixo:

NÃO queremos salvar o Planeta!

É possível utilizar somente ENERGIA RENOVÁVEL no planeta?

O planeta está aquecendo ou resfriando?

 

 

 

 

 

 

Referências :

RESOLUÇÃO CONAMA no 267, de 14 de setembro de 2000

 

Site GRID – Arendal 

Site do Ministério do Meio Ambiente – Brasil

Axelrod, Regina S., and Stacy D. VanDeveer. The Global Environment: Institutions, Law, and Policy. Fourth ed., SAGE Publ., 2015.

Chasek, Pamela S., et al. Global Environmental Politics: Dilemmas in World Politics. Seventh ed., Westview Press, 2017.

Protocolo de Montreal: https://treaties.un.org/doc/Publication/UNTS/Volume%201522/volume-1522-I-26369-English.pdf

Informações NOAA CFCs: https://www.esrl.noaa.gov/gmd/hats/publictn/elkins/cfcs.html

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