Energia, Energia Nuclear, Séries de Textos

Energia Nuclear – Parte II – Tudo tem seu lado positivo!

Começamos nossa série de textos sobre energia nuclear mostrando como foi uma das piores catástrofes da história (Energia Nuclear – Parte I – Chernobyl: A recuperação de uma das áreas mais degradadas do planeta). Mas o que leva as pessoas a utilizarem uma forma de energia como essa? É o que mostraremos nesta segunda parte da série sobre energia nuclear.

Tudo ao nosso redor é composto de pequenos objetos chamados átomos. A maior parte da massa de cada átomo está concentrada no centro (que é chamado de núcleo) e o restante da massa encontra-se na nuvem de elétrons ao redor do núcleo. Prótons e nêutrons são partículas subatômicas que compõem o núcleo.

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Sob certas circunstâncias, o núcleo de um átomo muito grande pode se dividir em dois. Nesse processo, uma certa quantidade da massa do átomo grande é convertida em energia pura seguindo a famosa fórmula de Einstein, E = MC2 , onde M é a pequena quantidade de massa e C é a velocidade da luz (um número muito grande). Nas décadas de 1930 e 1940, os humanos descobriram essa energia e reconheceram o seu potencial como arma. A tecnologia desenvolvida no Projeto Manhattan usou com sucesso essa energia em uma reação em cadeia para criar bombas nucleares. Logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, a nova fonte de energia encontrou uma casa na propulsão da marinha nuclear, fornecendo, aos submarinos, motores que poderiam funcionar por mais de um ano sem reabastecimento. Essa tecnologia foi rapidamente transferida para o setor público, onde usinas comerciais foram desenvolvidas e implantadas para produzir eletricidade.

Mas, como em tudo na vida, há o lado negativo e o lado positivo. Nesse texto abordaremos os 3 principais benefícios da energia nuclear:

1 – Energia Nuclear salva vidas

Em 2013 um estudo realizado pela NASA descobriu que, entre 1976 e 2009, a energia nuclear preveniu por volta de 1,8 mortes, mesmo se forem incluídas as mortes causadas por Chernobyl e Fukushima. Esse tipo de energia fica em último lugar no ranking de mortes por unidades de energia produzidas, já que o resíduo, mesmo sendo extremamente tóxico, geralmente é armazenado em algum lugar seguro, diferente dos resíduos de combustíveis fósseis, que são bombeados para o ar que respiramos todos os dias. Então, apenas reduzindo a quantidade de combustíveis fósseis, inúmeros casos de câncer, de problemas no pulmão e de acidentes em minas de carvão já foram evitados.

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Se pudéssemos escolher entre colocar uma quantidade enorme de substâncias perigosas em um buraco profundo ou jogá-la na atmosfera, qual alternativa pareceria mais lógica? Embora a energia nuclear pareça bem mais perigosa, apenas alguns eventos catastróficos nos vêm à memória, enquanto que o carvão e o petróleo matam vidas de forma silenciosa. A analogia mais próxima a isso seria a comparação entre se andar de avião ou de carro, pois, apesar de andar de carro seja muito mais perigoso, muito mais pessoas têm medo de andar de avião. Mesmo nos melhores casos, levaria pelo menos 40 anos para tudo ser totalmente adaptado para energia renovável. Portanto, enquanto ainda continuarmos utilizando combustíveis fósseis, a energia nuclear salvará muito mais vidas do que destruirá.

Além disso, com a energia nuclear, muitos países podem se aproximar da independência energética. Ser “viciado em petróleo” é uma grande preocupação de segurança nacional e global por várias razões. Se utilizássemos veículos elétricos, híbridos ou plug-in (PHEVs) alimentados por reatores nucleares, poderíamos reduzir nossas demandas de petróleo em ordens de grandeza. Além disso, muitos projetos de reatores nucleares podem fornecer calor de processo de alta qualidade, além da eletricidade, que pode, por sua vez, ser usada para dessalinizar água, preparar hidrogênio para células a combustível ou aquecer bairros, entre muitos outros processos industriais.

2 – Energia Nuclear reduz emissões de gases de efeito estufa

A energia nuclear é bem menos nociva ao meio ambiente do que outros tipos de energia. Desde 1976, mais de 64 gigatoneladas de gases de efeito estufa deixaram de ser enviados à atmosfera por causa da utilização de energia nuclear e, nos meados do século 21, a esse número poderão ser adicionados entre 80 e 240 gigatoneladas, que irão deixar de chegar ao ambiente.

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Pinturas nas torres de Orlando formam o maior mural da África do Sul

A taxa de consumo de energia dos seres humanos está subindo constantemente. Somente a China irá adicionar o equivalente a 600 MW em usinas de carvão a cada 10 dias para os próximos 10 anos. O país já queima 4 bilhões de toneladas de carvão por ano, já que esse combustível é barato, relativamente abundante e facilmente produzido. É de se imaginar que a humanidade não vai parar de utilizá-lo com tanta facilidade, mas a energia nuclear pode ser uma das poucas maneiras de amortecimento dos efeitos das mudanças climáticas, podendo prevenir uma catástrofe antropológica sem precedentes. Comparada a muitas coisas que fazemos, a energia nuclear é relativamente limpa. Então, mesmo que seja uma boa ideia pararmos de utilizar esse tipo de energia a longo prazo, ela pode ser uma solução para os próximos 100 anos se compararmos com as alternativas atuais.

3 – Novas tecnologias

Talvez as novas tecnologias que estão por vir possam solucionar os possíveis problemas gerados pelo resíduo nuclear e o perigo das usinas. Os reatores nucleares utilizados até hoje são, em sua maioria, tecnologia já ultrapassada, pois a inovação nessa área foi pausada em 1970. Há modelos como o Reator de Tório que poderiam resolver o problema como um todo. O Tório (Th) é abundante e, dificilmente, poderá se tornar uma arma nuclear. Por outro lado, ele gera quase duas ordens de magnitude de energia e menos rejeitos do que os reatores nucleares atuais. Além disso, o rejeito do seu material radioativo seria perigoso por um pouco mais de 100 anos em contraste aos quase 1000 anos do urânio.

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Comparativo do potencial energetico do Tório, Urânio e Carvão

Como método comparativo já se estima que 1T de Tório pode fornecer a mesma quantidade de energia que 200T de Urânio ou 3,5 milhões de toneladas de carvão. Portanto, enquanto não sabemos ao certo se as novas alternativas tecnológicas cumprirão sua expectativa, não deveríamos, ao menos, investir em mais pesquisas antes de renunciarmos à oportunidade de resolução de diversos problemas da humanidade?

Sendo assim, devemos ou não utilizar energia nuclear? O que sabemos é que em toda tentativa humana há riscos e que devemos tomar decisões baseadas em fatos e não em intuições.

Se quiserem saber o outro lado da história, aguarde o terceiro texto da série na próxima semana.

 

 

Referências

Kurzgesagt – In a Nutshell

El-Hinnawi, Essam. “Review of the Environmental Impact of Nuclear Energy.”

“Environmental Effects of Nuclear Power.” Nuclear Tourist.

“Nuclear Energy.” U.S. Environmental Protection Agency. U.S. EPA

“Nuclear Fission and Fusion.” IEA. International Energy Agency,

 “Radioactive Waste.” US Nuclear Regulatory Commission

 

 

 

 

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