Texto Curioso

5 cidades sustentáveis e o que podemos aprender com elas.

Cidades em todo o mundo estão vivendo em extremos e exibem desempenhos polarizados nos três pilares da sustentabilidade.  O Índice Arcadis de Sustentabilidade é baseado em três categorias: “Pessoas”, “Planeta” e “Lucro”. A categoria Pessoas inspeciona saúde, educação, igualdade de renda, equilíbrio entre trabalho e vida privada, crime e moradia e custo de vida – esses indicadores podem ser amplamente considerados como a chamada “qualidade de vida”. A segunda categoria, Planeta, inspeciona os “fatores ambientais” de uma cidade, como o uso de energia renovável, consumo de energia, espaços verdes dentro da cidade, emissões de gases de efeito estufa, água potável e muito mais. Já a categoria Lucro classifica as cidades de acordo com sua infraestrutura, turismo, PIB per capita, importância da cidade em redes econômicas globais e taxas de emprego.

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3 pilares da sustentabilidade: Pessoas – social / Planeta – meio ambiente / Lucro – econômico.

A Arcadis fez uma parceria com o Centro de Pesquisas Econômicas e Empresariais (Cebr) para explorar como as cidades estão indo nessas três áreas. O Cebr avaliou 100 das principais cidades do mundo, usando 32 indicadores diferentes, para desenvolver uma classificação indicativa da sustentabilidade de cada um. Uma cidade recebe uma pontuação em cada um dos três pilares da sustentabilidade e a pontuação geral da cidade é igual à média dos três subíndices.

O Índice Arcadis de Cidades Sustentáveis 2016 classificou 100 cidades globais em três dimensões ou pilares de sustentabilidade: Pessoas, Planeta e Lucro, representando sustentabilidade social, ambiental e econômica, para oferecer uma imagem indicativa da saúde e riqueza das cidades para o presente e o futuro.

Uma clara ligação entre desenvolvimento econômico e sustentabilidade ambiental é aparente. Portanto, as cidades nas economias avançadas estão em grande parte no topo, enquanto as economias emergentes e em desenvolvimento tendem a se agrupar em direção ao fundo.

A maior tensão inerente a uma economia sustentável, seja ela referente a uma cidade ou a um país, é a análise para descobrir se o bem-estar das gerações futuras é comprometido pelo estilo de vida das gerações atuais. Atualmente, todas as economias avançadas colocam em risco os padrões de vida futuros por meio de altas emissões de gases de efeito estufa, por não reciclarem suficientemente os recursos finitos que utilizam e por esgotar suas fontes de energia não renováveis. Alguns exibem os efeitos adversos dessas atividades melhor do que outros.

Como tal, o Índice de Cidades Sustentáveis ​​não é uma classificação típica de desenvolvimento. Algumas economias emergentes são inesperadamente altas em relação a um ranking de desenvolvimento “padrão”, enquanto algumas economias desenvolvidas caem em suas obrigações para o futuro. Podemos olhar para os três subíndices para ver em quais dimensões as cidades de sustentabilidade estão tendo bom desempenho e nas quais elas têm oportunidades para novos investimentos e melhorias.

1 – Zurique – Suíça

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SusTec – empresa de tecnologia em Zurique

Zurique, a cidade número um do Índice de Cidades Sustentáveis, tem uma forte reputação como uma cidade contemporânea e habitável, conhecida por seu forte foco no ambientalismo, bem como em instituições financeiras de renome mundial. Apesar de liderar tanto o ranking geral, como o sub-índice do planeta, e ocupando o 5º lugar no lucro, Zurique aparece em 27º lugar no sub-índice de pessoas devido à acessibilidade, trabalho   e qualidade de vida, sendo as principais causas dessa disparidade.

A sociedade de 2.000 watts é a abordagem de Zurique para combater a mudança climática e a escassez de recursos: uma meta para as pessoas usarem 2000 watts de energia per capita (a quantidade global estabelecida como uso de energia “sustentável”).

Os compromissos incluem investimentos e foco em eficiência energética e em energias renováveis, construções sustentáveis, mobilidade para o futuro e um esforço para aumentar a conscientização pública, incluindo eventos como dias anuais do  meio ambiente.

O transporte público na cidade é considerado como um modelo altamente sustentável para outras cidades. Eléctricos, comboios, autocarros, metrôs e muito mais são altamente coordenados, tornando a mobilidade simples, rápida e acessível.

Como um centro econômico global, a cidade não só é capaz de atrair negócios, mas também pessoas, com uma boa qualidade de vida, oportunidades educacionais e de emprego atraentes, bem como um ranking de saúde líder no Índice. Várias empresas e indústrias inovadoras, pequenas e grandes, formam uma base importante da economia de Zurique. Além disso, altos níveis de produtividade e baixos custos de mão-de-obra não salarial reduzem os custos de produção em relação às economias concorrentes em todo o mundo. Tudo somado, isso faz de Zurique um lugar atraente para investir, viver e trabalhar.

2 – Singapura

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Jardins da Baía -Singapura

Uma série de iniciativas de sustentabilidade está em andamento e ajudará Singapura a evoluir e a permanecer competitiva. Mesmo sendo a melhor cidade classificada na Ásia e a segunda no mundo, a cidade continua sendo proativa. Por exemplo, com uma população prevista para crescer para mais de seis milhões de pessoas até 2030, o governo comprometeu-se a realizar investimentos significativos na próxima década para melhorar a mobilidade e a conectividade dentro da cidade. Este investimento inclui duas novas linhas subterrâneas, extensões para quatro linhas de MRT existentes, um novo terminal e pista no Aeroporto de Changi, uma ligação ferroviária de alta velocidade entre Singapura e Malásia e a realocação dos portos de containers.

A cidade também enfrenta o envelhecimento da população e a necessidade de maiores investimentos em infra-estrutura social. Isso, juntamente com longas horas de trabalho, desigualdades de renda e acessibilidade, impactam a classificação do sub-índice de pessoas de Singapura.

Singapura também estabeleceu uma meta ambiciosa de tornar, pelo menos, 80% de todos os edifícios “verdes” até 2030 como parte de um esforço conjunto para criar um ambiente vivo vibrante e de alta qualidade, que seja resiliente e apoie a agenda mais ampla da mudança climática. Investimentos adicionais em resiliência estão em andamento em Singapura, incluindo sua estratégia de “fechar o ciclo” da água.

Classificada em primeiro lugar no lucro, Singapura está no top 10 de todos os seis indicadores no sub-índice de lucro, liderando o mundo na facilidade de fazer negócios e empatando com Macau no primeiro lugar de turismo.

3 – Estocolmo – Suécia

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Estocolmo, cidade com mais de 880 mil habitantes espalhados pelos 6.519 km² de extensão territorial, investiu em planos de sustentabilidade que transformaram os rios da capital da Suécia que estavam poluídos em lugares adequados para pesca e implantaram lixeiras a vácuo que dispensam a coleta por caminhões. Além disso, ainda pretendem reduzir o uso de combustíveis fósseis nos próximos 37 anos.

O ano de 1972 foi importante para Estocolmo, pois a cidade foi sede da “Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano” da ONU. O evento destacou a cidade em âmbito mundial pelo exemplo da combinação da gestão administrativa com o planejamento urbano, que ligado a tecnologias avançadas de gestão ambiental, trouxe inúmeros benefícios à população.

Os projetos para impulsionar os índices de qualidade de vida da população sueca estavam há décadas atrelados à melhoria do tratamento de esgotos, gerenciamento de resíduos sólidos, eficiência energética e qualidade do ar.

Desde a década de 70 são realizadas novas intervenções na estrutura da cidade. O serviço de tratamento das águas dos rios foi acionado e melhorou a sua qualidade, deixando-as apropriadas para a pesca e o lazer. Nem a água da chuva escapa das medidas sustentáveis. O planejamento de habitação da cidade investiu em sistemas que direcionam a demanda pluvial para unidades de tratamento específicas.

A prefeitura, através de parcerias com empresas de tecnologia da informação, reciclagem e eficiência energética, modificou o sistema de aquecimento da cidade, passando a utilizar energias renováveis, dentre elas a solar, responsável por 80% do aquecimento das empresas e residências.

4 – Viena – Áustria

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Viena é uma cidade inovadora. Em 2011 o seu prefeito, Dr. Michael Häupl, propôs a iniciativa para que Viena se tornasse uma cidade inteligente (smart city). Porém a aprovação só ocorreu em 25 de junho de 2014, quando começou a ser implementada.

Para isso, foi desenvolvido um planejamento de ações, planos e programas que constituem o documento chamado “The Smart City Wien Framework Strategy”. Essa iniciativa de longo prazo visa melhorar o desenho, o desenvolvimento e a percepção da cidade. Tem como objetivo principal integrar as atividades de trabalho e lazer vislumbrando que os cidadãos tenham uma vida equilibrada. Para isso, foram propostas ações para melhoria da infraestrutura, energia e mobilidade urbanas.

O pano de fundo para essas ações foram as Diretrizes da Comunidade Europeia para Energia e Mudança Climática, cujas metas são reduzir, até 2030, as emissões de CO2 em 40% em relação aos níveis de 1990 e, ao mesmo tempo, aumentar em 27% as fontes de energias renováveis e, até 2050, reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 80 a 95% em comparação a 1990.

5 – Londres – Inglaterra

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Londres é uma das maiores potências econômicas do mundo, ocupando o terceiro lugar no sub-índice de lucro. Situada no centro das finanças globais, a posição de peso-pesado de Londres, combinada com uma longa história de evolução cultural e econômica, mostra que a cidade está bem equipada para colher os benefícios, a longo prazo, de seu status como uma verdadeira cidade mundial. No entanto, para que o capital mantenha a competitividade a longo prazo, há uma série de questões que ainda precisam ser abordadas.

Com um ranking ambiental de 9, há o compromisso de melhorar o desempenho ambiental da cidade por meio, por exemplo, de ônibus de baixa emissão, programas de limpeza ambiental, infra-estrutura como o Thames Tideway Tunnel e ações voluntárias de seus cidadãos.

Classificando-se apenas em 37 no sub-índice de pessoas, as necessidades de mobilidade e moradia, associadas a uma metrópole crescente e densamente povoada, estão na vanguarda dos desafios da cidade. Com a população de Londres projetada para chegar a 10 milhões de pessoas até 2030, melhorar a capacidade de infraestrutura e fornecer o número e o tipo de casas certos, que permitam que todas as pessoas vivam e trabalhem, é fundamental.

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Azul -Sub-Índice “Pessoas”        Verde – Sub-índice “Planeta”        Vermelho – Sub-índice “Lucro

 

Referências:

BASEADO NO ÍNDICE Arcadis – Faça o Download :  Sustainable Cities Index 2016 Global Web

Site Pensamento Verde

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